A Tentação do Plágio

16 julho, 2008

Para expiação do pecado capital do mundo do conhecimento que é o plágio, um primeiro passo pode ser a simples confissão. Nos livramos da culpa do plágio citando a fonte de uma informação ou argumento.

Quando um autor perde a capacidade de resistir ao mal o plágio se consuma. O ato de plagiar é então considerado um crime hediondo. Em seu julgamento o réu será acusado de premeditação, falta de escrúpulos, desonestidade, falta de ética profissional. Aos poucos os argumentos condenatórios resvalarão para o campo da moral. No comportamento anterior do réu serão buscados indícios de vileza, vulgaridade e lascívia. Com tão pungente peça acusatória o veredicto final só poderá ser a condenação ao ostracismo intelectual.

É claro que a defesa poderá sempre alegar que o crime foi passional, argumentando que o acusado não resistiu a um impulso irracional de apropriação indevida da criação alheia e agiu por amor, não por inveja ou cobiça.

Se um texto é uma espécie de filho que colocamos no mundo, a moral nos ensina que o melhor é que não seja fruto de um incesto. O plágio é um incesto que realizamos com um irmão ou irmã de ofício, que nos seduziu através do seu texto. A atração por plagiar é como um desejo incestuoso do qual nos afastamos se resignando à imperfeição do nosso próprio texto.

Quer seja o plágio considerado como um vulgar crime motivado pela falta de ética, ou como um ato passional, e até mesmo um incesto, no mundo das letras não conseguimos evitar um sentimento misto de repulsa e compaixão pelo criminoso plagiário, considerado mais uma pobre vítima de uma tentação demoníaca.

Ao autor considerado pelos pares como sério, consistente e inovador pode ser relevada uma falta até grave em sua vida privada. Dificilmente, porém, lhe será concedido o perdão por um plágio comprovado e às vezes apenas presumido.

Podemos, então, concluir que uma interdição tão severa como a que paira sobre o ato de plagiar só pode mesmo ser explicada pela existência de um desejo de transgressão que tenha a mesma intensidade.

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Texto gentilmente cedido por

Walter Lúcio de Alencar Praxedes

[ walterpraxedes@uol.com.br ]

Doutor em Educação pela USP e professor de Sociologia na Universidade Estadual de Maringá e Faculdades Nobel. Co-autor dos livros O Mercosul e a sociedade global (12ª ed., 2002) e Dom Hélder Câmara: entre o poder e a profecia – 1997 [http://www.espacoacademico.com.br/024/24wlap.htm].

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A Idéia é Somar

30 junho, 2008

Vamos tentar, na medida do possível, não deixar que questões de interesse pessoal – ou de alguma minoria – prevaleçam sobre o objetivo maior que é ‘combater o plágio’.

Sobre isso, quero deixar claro algumas coisas:

a) esse blog vai adicionar a todos que solicitarem adesão, além aqueles que eu julgar importante adicionar;

b) ninguém tem a obrigação de corresponder aos links aqui adicionados; não se trata aqui de promover esse blog, mas sim promover a discussão; pois não se está buscando parcerias, nem elevar PR ou ganhar dinheiro com anúncios;

c) a função única e exclusiva desse blog é promover a discussão sobre o plágio na Internet, bem como debater sobre possíveis medidas que levem à diminuição desse problema;

d) quaisquer outras campanhas paralelas podem se juntar a esse blog, o qual também estará sempre à disposição para fazer coro a outros que estejam voltados a esse mesmo fim;

e) todo texto de minha autoria que aqui for postado pode ser também postado em quaisquer outros blogs, sem risco de ser considerado ‘plágio’; quanto aos textos de outros autores, sugiro que seja solicitada permissão aos mesmos;

f) a base de toda discussão aqui desenvolvida será – sempre – a Lei Federal 9.610/98 (Lei dos Direitos Autorais);

g) toda e qualquer sugestão será sempre bem-vinda e a participação de todos é irrestrita, desde que sejam respeitados os direitos à pessoa humana.

A partir de amanhã – sempre que possível – postarei textos sobre direitos autorais. Alguns serão meus e outros não. A esse segundo grupo haverá sempre a referência ao autor original, o qual será devidamente informado do uso de seu material.

Quem desejar colaborar com este blog, basta deixar o texto nos ‘comentários’, que postarei o mesmo assim que surgir a oportunidade, estando o mesmo aberto ao debate.

José Fernandes

contraoplagiobrasil@gmail.com