A Tentação do Plágio

Para expiação do pecado capital do mundo do conhecimento que é o plágio, um primeiro passo pode ser a simples confissão. Nos livramos da culpa do plágio citando a fonte de uma informação ou argumento.

Quando um autor perde a capacidade de resistir ao mal o plágio se consuma. O ato de plagiar é então considerado um crime hediondo. Em seu julgamento o réu será acusado de premeditação, falta de escrúpulos, desonestidade, falta de ética profissional. Aos poucos os argumentos condenatórios resvalarão para o campo da moral. No comportamento anterior do réu serão buscados indícios de vileza, vulgaridade e lascívia. Com tão pungente peça acusatória o veredicto final só poderá ser a condenação ao ostracismo intelectual.

É claro que a defesa poderá sempre alegar que o crime foi passional, argumentando que o acusado não resistiu a um impulso irracional de apropriação indevida da criação alheia e agiu por amor, não por inveja ou cobiça.

Se um texto é uma espécie de filho que colocamos no mundo, a moral nos ensina que o melhor é que não seja fruto de um incesto. O plágio é um incesto que realizamos com um irmão ou irmã de ofício, que nos seduziu através do seu texto. A atração por plagiar é como um desejo incestuoso do qual nos afastamos se resignando à imperfeição do nosso próprio texto.

Quer seja o plágio considerado como um vulgar crime motivado pela falta de ética, ou como um ato passional, e até mesmo um incesto, no mundo das letras não conseguimos evitar um sentimento misto de repulsa e compaixão pelo criminoso plagiário, considerado mais uma pobre vítima de uma tentação demoníaca.

Ao autor considerado pelos pares como sério, consistente e inovador pode ser relevada uma falta até grave em sua vida privada. Dificilmente, porém, lhe será concedido o perdão por um plágio comprovado e às vezes apenas presumido.

Podemos, então, concluir que uma interdição tão severa como a que paira sobre o ato de plagiar só pode mesmo ser explicada pela existência de um desejo de transgressão que tenha a mesma intensidade.

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Texto gentilmente cedido por

Walter Lúcio de Alencar Praxedes

[ walterpraxedes@uol.com.br ]

Doutor em Educação pela USP e professor de Sociologia na Universidade Estadual de Maringá e Faculdades Nobel. Co-autor dos livros O Mercosul e a sociedade global (12ª ed., 2002) e Dom Hélder Câmara: entre o poder e a profecia – 1997 [http://www.espacoacademico.com.br/024/24wlap.htm].

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5 respostas para A Tentação do Plágio

  1. Ressaca disse:

    Pedindo antecipadas desculpas pela “invasão” e alguma usurpação de espaço, gostaríamos de deixar o convite para uma visita a este Espaço que irá agitar as águas da Passividade Portuguesa…

  2. Estou aqui, de primeira passagem, conhecendo seu espço. Gostoso te ler. Gostoso apreciar esse texto que revela as faces do plágio…esse pecado tão praticado, tão sedutor…
    Um abraço

  3. Psychic disse:

    Mais inconcebível é quando, além do plágio, somos vítimas de difamação e insultos por parte das pessoas que, ao mesmo tempo, vão roubando nossos textos e fotos :S

  4. Olá gostei muito do texto (extremamente atual), sou um dos membros da comunidade: Afinal, quem é o autor? (orkut) além do plágio, hoje em dia verificamos muitas autorias trocadas, quanto maior o número de pessoas prestando atenção nos escritos e na pesquisa maior a conscientização. Parabéns pelo espaço. Segue um abraço, Rosangela.

  5. Cleiton Benkendorf disse:

    Olá,estou aqui para pedir parceria através da troca de links com meu blog…
    Seu blog é muito interessante!
    O que você acha?
    Responda em:http://escuteseusolhos.blogspot.com

    abraço

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